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ATELIER INTERNACIONAL EXPERIMENTAL / TFG

PROJETAR ARQUITETURA, CONSTRUIR CIDADES

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No Brasil mais um ano letivo se inicia, em meio a turbulências mundiais e diante de enormes desafios locais. Como sabemos, e acreditamos, uma das maneiras mais eficazes de resistir e superar estes enormes desafios locais e globais é a produção e a difusão de Conhecimento e, também, a formação de jovens profissionais cada vez mais cultos, críticos, criativos e qualificados tecnicamente.

 

Assim se coloca o Atelier Internacional Projetar Arquitetura, Construir Cidades/TFG. Trata-se de uma proposta didático-pedagógica que busca construir um espaço coletivo criativo e colaborativo, no qual inquietações pessoais diante do mundo em que vivemos se transformam em Arquitetura e Urbanismo.

Envolvendo, a um só tempo, ensino, pesquisa e extensão, o Atelier se afirma como um espaço de formação. Como tal, constitui-se como um espaço presencial de vivências múltiplas e de experimentação que, por isso mesmo, se coloca em contraponto à corrente que valoriza o hiperindividualismo e a homogeneização das práticas cotidianas.

 

Esta atividade se articula, então, em torno da reafirmação do caráter formativo, transdisciplinar, crítico e prático do trabalho de conclusão de curso, simulando as várias faces do trabalho do profissional contemporâneo. Um profissional que deve estar apto ao exercício pleno de suas habilidades, competências e posturas, bem como ao enfrentamento da realidade em suas múltiplas dimensões.

 

Nesse sentido, recupera-se a compreensão de Anísio Teixeira acerca da função social da universidade, ao afirmar que “a universidade não existe para si mesma, mas para servir à sociedade” (TEIXEIRA, Educação não é privilégio), entendimento que orienta a concepção formativa e o compromisso público que estruturam este Atelier.

 

O que se propõe é o desenvolvimento dos trabalhos individuais de modo colaborativo, participativo e prospectivo. Esse processo se dá com a participação direta e o acompanhamento compartilhado do grupo de estudantes, professores, pesquisadores e convidados internos e externos envolvidos.

A proposta é trabalhar a Arquitetura e Urbanismo a fundo, investigando desde a sua própria conceituação como campo de conhecimento até seu instrumental enquanto prática profissional em um contexto multiescalar.

 

Parte-se dos desafios globais, ambientais e climáticos, avançando até seus efeitos concretos no tecido urbano — seja ele macro-metropolitano, urbano ou local — por meio da busca, da proposição e da manipulação de novos e mais complexos programas qualitativos, físicos e funcionais, capazes de responder aos desafios do século XXI.

 

Colocam-se, assim, questões centrais: qual o papel do arquiteto no século XXI? Quais os limites, fronteiras e metodologias que caracterizam sua atuação? Que instrumental está à sua disposição e como utilizá-lo de modo crítico e responsável?

 

Somam-se a essas indagações os desafios contemporâneos ligados à incorporação da Teoria da Informação e Comunicação e dos instrumentos digitais do BIM à IA no processo de elaboração do projeto de Arquitetura e Urbanismo, bem como os compromissos da Arquitetura diante da crise climática e social, da pobreza extrema, da desigualdade e do aquecimento global. Nesse quadro, coloca-se ainda o papel e as responsabilidades da nova geração, a chamada GenZ. Estas são algumas das questões que os estudantes deverão investigar, refletir e propor a partir de suas próprias temáticas e posicionamentos críticos.

 

O principal objeto de estudo é, então, o próprio processo de elaboração do projeto, e não apenas seu resultado final. Busca-se explicitar o processo de interpretação crítica da realidade e de criação da Arquitetura e Urbanismo desde o despertar do interesse do arquiteto e da arquiteta pelo tema até as primeiras propostas apresentadas, desenvolvidas e materializadas por meio dos instrumentos disponíveis, sempre compreendendo o projeto como processo contínuo, reflexivo e aberto. Nesse percurso, reforça-se a compreensão ética e pública do fazer arquitetônico, conforme lembra Renzo Piano ao afirmar que “o arquiteto é, antes de tudo, um cidadão” (PIANO, A função do arquiteto, p. 15). Ideia central, que reafirma o projetar como ato situado, responsável e comprometido com a sociedade e eixo central das atividades do Atelier.

 

Assim sendo, com essas questões como balizadores e sob o tema geral “Projetar Arquitetura, Construir Cidades”, neste Atelier cada estudante propõe sua própria temática e seu próprio projeto de trabalho, no Brasil ou no exterior. Ocupamo-nos em estudar e praticar, em várias escalas — do objeto ao urbano —, as relações existentes entre o pensar e o fazer Arquitetura e Urbanismo, a construção da cidade e o meio ambiente, constituindo o campo conceitual e prático que dá suporte ao desenvolvimento dessas investigações individuais.

 

Destaca-se, por fim, que toda a estruturação do Atelier Internacional Projetar Arquitetura, Construir Cidades/TFG está baseada em dois pilares didático-pedagógicos historicamente presentes no ensino de Arquitetura e Urbanismo no Brasil. Esses pilares, que há mais de duas décadas integram o Projeto Político-Pedagógico da FAU Mackenzie e hoje compõem as Diretrizes Curriculares Nacionais, são as chamadas pedagogias ativas — em especial o Problem Based Learning (aprendizado baseado em problemas) — e, sobretudo, o protagonismo estudantil.

 

Entendido como ferramenta fundamental para o amadurecimento e a consolidação de habilidades, competências e posturas profissionais, esse protagonismo faz com que o aprofundamento e a extensão das atividades propostas, respeitados os parâmetros mínimos definidos pela instituição, sejam proporcionais ao grau de envolvimento dos estudantes e da equipe, que definem e redefinem, ao longo do processo, seus objetivos individuais e coletivos.

 

Ao trabalho!

Será um prazer ter sua participação em nosso Atelier!

 

Abraço!
Equipe LPP

 

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FICHA TÉCNICA

. Tema Geral: Projetar Arquitetura, Construir Cidades
. Tema Específico: Livre escolha do estudante
. Área de estudo: A definir
. Enfoques: variados, de acordo com as propostas individuais apresentadas individualmente
. Escalas de estudo, intervenção e projeto: do desenho urbano ao projeto do detalhe construtivo, da intervenção metropolitana à escala local
. Duração: 1 ano letivo
. Público: alunos de graduação 9ª etapa – matutino, vespertino e noturno
. Inscrição: on line inscreva-se aqui
. Matrícula: normal no TFG
. Horário de atividades: preferencialmente tarde e noite, de acordo com cronograma
. Cronograma: o cronograma final será adaptado de acordo com o cronograma oficial do TFG Mack e em função do número de participantes.
. Desenvolvimento dos trabalhos: Os trabalhos serão desenvolvidos individualmente

. Metodologia: Serão empregadas e aplicadas metodologias ativas e colaborativas, com orientação de professores e pesquisadores do do Mackenzie e das Instituições parceiras.
. Língua: Inglês, Italiano, Francês, Espanhol e Português
. Vagas: 10 (dez)
. Custo adicional: não há custos adicionais.
. Poderão ocorrer atividades externas nacionais e internacionais, opcionais. Os custos destas atividades opcionais correrão por conta dos estudantes.
. Natureza da atividade: 100% presencial
. Certificados: atividade multidisciplinar, são conferidos certificados de ensino, de pesquisa e de extensão durante o desenvolvimento dos trabalhos. 

 

EQUIPE

Professores Permanentes
Guilherme Michelin, Antônio Carlos Sant’Anna, Guilherme Michelin, Valter Caldana (coord)

Romeo Farinella (UniFe)
Tutores LPP
Maria Fernanda Cubas de Morais Prado, Julia Detolvo, Graziele Goes, Carlos A. Pinheiro de Souza, Maíra Vucovix, Rita Patron
Consultores e colaboradores (pro bono)
Eduardo Abrunhosa, Roseli D'Elboux, Marili Vieira, Marcelo Teixeira, Nieri Araújo, Luiz Eduardo Guimarães DiasAna Wilheim, Mauro Calliari, Thaís Fonseca, Mariana Rolim (UAM), Andres Borthagaray – Universidade de Palermo/AR, Gianluigi Mondaini, Paolo Bonvini – Universidade Politécnica delle Marche, Gabriela Restaino – Universidade La Sapienza di Roma, Alfredo Alietti – Politécnico de Milano e Univ. de Ferrara e equipe de pesquisadores do LPP e do Grupo Arquitetura e Construção

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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BARDI, Lina Bo. Tempos de grossura: o design no impasse. São Paulo: Instituto Lina Bo e P. M. Bardi, 1994.

BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.

BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Superior. Parecer CNE/CES nº 454, de 2 de agosto de 2024. Reexame do Parecer CNE/CES nº 952/2023. Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Arquitetura e Urbanismo. Brasília, 2024.

BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Câmara de Educação Superior. Resolução CNE/CES nº 1, de 11 de julho de 2025. Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Arquitetura e Urbanismo. Brasília, 2025.

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FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. 50. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2019.

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